13 agosto 2010

Speedyfique-se

O sol me surpreendeu cedo. Amanheceu um dia de céu aberto, claro e de calor. Abri logo a janela e, enquanto fazia minha cama, fui planejando meu dia.  

Atribuindo prioridades paras as tarefas que vinha postergando já fazia um tempão e que hoje estava empolgado pra fazer. Mas o telefone tocou. Juro que antes de atender eu pensei em voz alta (vantagem de quem mora sozinho): "Lá se vai o meu dia!" 

Meu primo Caique contratou o Speedy (ou pelo menos tentou). Mas como ele está fazendo um treinamento numa empresa, não tinha quem ficasse em casa para receber o técnico que iria realizar a instalação. Minha tia também precisava se ausentar e então me ligou, pedindo pra eu "quebrar esse galho" (gordo tudo bem, mas macaco??). 


Engoli o café da manhã sem mastigar e evitei pensar que seria um dia ruim. Cheguei rápido na casa de minha tia. Ela me esplicou que não podia perder o dia de serviço e que o técnico estava agendado para antes do meio-dia - eu logo ví ele chegando só meio-dia. Nisso eu me enganei. Ele chegou às 10:00hs.


O Cenário: O quarto desse meu primo é como um preparatório para morar numa kitnet. Se você tossir lá dentro, é arremessado para a cozinha. Ele tem nesse quarto a tv, o computador, uma impressora, um dvd, um aparelho de som, e apenas uma tomada. É o festival do benjamim.


O Técnico: Chama-se Carlos e é de Santo Amaro. Que diabos ele veio fazer no Itaim Paulista? Quando ele desceu do Uno, o carrinho subiu uns 30 centímetros. Tinha 1,90 metros de altura por 2,30 metros de largura. Respiração sempre ofegante, daquelas bem barulhentas.

O Fato: Não sei como o ministério das Comunicações e a Anatel permitem que essa empresa sem vergonha continue a vender serviços que não pode cumprir.


Moro no extremo leste da capital e a muito tempo a telefônica pediu arrego, admitindo não ter capacidade para fornecer Speedy decente.

O Técnico, doravante chamado de Carlão, já teve dificuldade pra entrar no quarto. Sentou-se na cama (lógico que não cabe cadeiras lá) e me pediu pra ligar o pc. A tomada, filha única, fica no canto mais escondido, inacessível e obstruído do quarto. Lá fui eu me esgueirar no chão pra plugar as trocentas tomadas. Pra levantar tive que pedir ajuda do Carlão. Dois gordos num único metro quadrado não dá certo. 


Carlão abriu sua 007 e foi retirando extensões, plugues, alicates, modens, e mais uns aparelhos estranhos. Parecia a maleta do Gato Felix.

Num instante a cama do Caíque parecia uma oficina mecânica. Depois de tudo conectado, Carlão ligou para a central de atendimento e a telefonista foi confirmando algumas informações. Ele conversava com a atendente e comigo ao mesmo tempo, sempre preocupado em não me deixar entediado com a demora.
Nada dava certo, descascava a pontas dos fios, trocava os plugues, reconfigurava a conexão, modulava o moden, mas sinal de internet que era bom, nada. Então só restou verificar a instalação externa: o poste! 

Acompanhei Carlão até o Uninho, ajudei a carregar a escada, a colocá-la de pé. Então ficamos os dois olhando pra escada. Eu demorei pra me tocar que Carlão, com seus 150 kg, estava me oferecendo a oportunidade de “subir na vida”. Não sei como ele fazia nos outros atendimentos, mas comigo a justificativa é que ele não confiava na escada. Tuuudo bem. Subi e substituí o cabo por um que ele trouxe, aliás muito melhor. Voltamos pro quarto do Caíque pra ver o resultado. Não melhorou nem um mísero Kbps.  


Moral da História: Enquanto empacotava suas bugigangas e enrolava seus fios, Carlão me agradeceu muito pela a ajuda, se desculpou como se a culpa fosse dele e me orientou como proceder junto à Telefônica. Já passava das 13:00hs. Ele me perguntou onde tinha um lugar legal pra almoçar por aqui. Eu citei um restaurante que abriu recentemente e ele me convidou pra almoçar. Eu estava faminto, mas recusei o convite. Então ele soltou a seguinte frase: “É que eu queria conversar mais com você. Como eu faço pra te ver?” 
Foi aí que eu lembrei que Carlão ficou olhando minha bunda quando eu estava no alto da escada. Meda!!! Eu que já não saio muito ao sol, devo ter parecido o Gasparzinho.  


Fingi que não entendi, desconversei, agradeci mais uma vez e saí à francesa. Se ele pelo menos morasse mais perto. hahahahah

2 comentários:

Frank disse...

Antes que esta postagem, de carater mais pessoal, cause algum desconforto à quem vier a ler, quero deixar bem claro que eu abomino promiscuidade e traição. Só usei de humor ao contar o acontecido por ser algo inusitado.

Aproveito pra deixar bem claro que meu coração, meu amor e dedicação são de uma só pessoa, até quando ela queira compartilhar o caminho dessa existência comigo (e depois também). Não faço do amor um contrato. Aprendi a não fazer exigências. Tudo isso só roubaria o espaço de um sentimento mais próximo ao Divino.

Caique disse...

Tudo isso dentro da minha caixinha de fosforo(quarto).

Mais A História ficou boa.!